Mostrando postagens com marcador brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador brasil. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Nascendo no lugar errado

“Ai, não sei...às vezes sinto que eu não sou daqui, sabe?!?!? Parece...sei lá, que aqui não é o meu lugar...”.


Coisa comum de se ouvir entre peruazinhas inconformadas por não terem nascido em Paris, essa declaração pode querer dizer muitas outras coisas também. Imagine um gaúcho que odeia música gaúcha? Pode acontecer, meu pai mesmo, é lageano (Lages fica em SC, mas tem o Alvará para ser gaúcha, com certeza absoluta) e não suporta música gaúcha. Claro que não hesitou quando surgiu a possibilidade de vir para Curitiba.


Na contramão disso, outro dia vi uma menina dizer que gostaria de ter nascido no Rio Grande do Sul, já que ela amava a cultura deles, torcia pro Grêmio e achava que o estado do Paraná não tem uma história e cultura interessantes. Obviamente não perdi a chance de dizer pra ela que a revoltinha que eles estavam preparando, quem sabe pensando em instituir o chimarrão como bebida nacional, parou aqui na Lapa, onde acabou a brincadeira e eles voltaram para O SUL É MEU PAÍS fazer fogo de chão. Até que a menina, que era do interior do Paraná, se convenceu.


Deixando a viad...ops....gauchada de lado, penso nos pobres coitados apaixonados por futebol que torcem para um time de fora da sua cidade. Imagino que morando em Picos, deve ser foda torcer para um time regional, e esperar o Flamengo jogar no Piauí também não é a coisa mais fácil do mundo. Eu moro perto do meu time, são exatos 7 tubos de bi-articulado entre minha casa e a Vila mais histórica do mundo, sou muito feliz por isso, e imagino que se fosse diferente eu realmente seria um cara menos feliz.


Mas, mesmo morando perto do meu time, numa cidade que eu adoro e sendo orgulhoso da cultura local, eu também sofro com o nascimento no lugar errado. Antes que alguns engraçadinhos pensem, o problema também não está em eu ter nascido no hospital de São José dos Pinhais (Minha cidade tem aeroporto internacional, e a tua? =P ), menos ainda meu problema é ser brasileiro, já que sou um defensor ferrenho dos assuntos que envolvam nossa pátria.


O problema são os meus cabelos! Outrora tão exaltados pelos cabelereiros da cidade “Nossa, quanto cabelo tem esse menino!”, agora, como se fossem aves migratórias em busca de melhor condição de vida, eles estão morrendo na cabeça e reencarnando em outras partes do corpo. Até imagino meus pêlos, antes de fugirem da minha cabeça, em uma declaração emocionada...


“Ai, não sei...às vezes sinto que eu não sou daqui, sabe?!?!? Parece...sei lá, que aqui não é o meu lugar...”.


P.s: Gauchada! Aqui é tudo brincadeirinha viu!?!? Obviamente não vou reduzir os maragatos a meros revoltadinhos e as razões deles a imposição do mate amargo como bebida nacional.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Só no ano 2000

Envelhecer é dose. A cada semana que passa, eu já não celebro o tão aguardado fim de semana que chegou logo, mas lamento a velocidade do tempo, que passa rápido demais e me faz perceber que já estou ficando velho e ainda não fiz nada de bom da minha vida. Eu já tenho menos cabelos do que tinha antes, vou a galope rumo aos 30 anos, e ainda não fiz metade (sendo otimista) do que planejava ter feito quando chegasse nessa situação. Tudo bem, esse post não é um lamento ou uma obra do saudosismo que insiste em fazer parte de mim, mas esse primeiro parágrafo serve pra lembrar como o tempo passa voando, e eu possa, enfim, falar sobre o verdadeiro tema do texto.


Nós temos mania de falar “frases prontas” em certos casos, por exemplo, se eu conto alguma história de alguma menina que conheci pro Farinha, automaticamente ele responde: “Meu, você é feio!”, ou se conto uma história meio cabulosa pro Roque, prontamente ele me diz: “Não boto uma fé”. Eu também tenho as minhas respostas automáticas, mas lembro que quando criança, quando falavam alguma mentira, ou algo que não ia acontecer nunca, eu respondia: “Ih, só se for no ano 2000!!!”. O ano 2000 era a referência de tempo mais longe que eu poderia imaginar, talvez até porque eu achava que do ano 2000 o mundo não passava (Eu não podia ouvir falar em apocalipse, que já me dava calafrios!). Eu pensava que eu seria “grande” quando chegasse aos 16 anos, eu realmente pensava que os recém debutantes mereciam respeito pela avançada idade, e entendia que quem chegasse aos 20 e não fosse casado, com filhos, casa própria e um bom carro na garagem era um derrotado. Ironicamente, 16 anos era a idade que eu tinha no ano 2000, e foi quando eu percebi que o ano 2000 não era tão distante e que “homens” de 16 anos ainda não eram nada, pois eu me trancava de medo do fim dos tempos, dirigia pior do que uma senhora cega (obviamente com o pai do lado, porque eu não tinha idade pra tirar carteira) e não fazia idéia de como se preparava um macarrão. Não duvide que eu seria capaz de preparar um na churrasqueira, tamanha era minha inaptidão para a cozinha naqueles tempos (não que tenha melhorado grandes coisas...).


Com a aproximação do ano 2000, a referência de longitude no tempo era o ano de 2010...porra, uma DÉCADA depois do ANO 2000!!! De fato, uma época inalcançável, que é NO ANO QUE VEM!!! Pelo menos 2014 está aí, e eu torço, com todas as minhas forças, que as seleções sueca, espanhola e italiana tenham Curitiba como sede na Copa, e que suas torcedoras, sedentas por conhecer o swing latino e exótico do brasileiro, se hospedem em um hotel próximo ao estádio, que felizmente é muito próximo da minha casa.


Dureza é chegar em 2014, com 30 anos, careca e ainda morando com a mãe...


=(