“Ai, não sei...às vezes sinto que eu não sou daqui, sabe?!?!? Parece...sei lá, que aqui não é o meu lugar...”.
Coisa comum de se ouvir entre peruazinhas inconformadas por não terem nascido em Paris, essa declaração pode querer dizer muitas outras coisas também. Imagine um gaúcho que odeia música gaúcha? Pode acontecer, meu pai mesmo, é lageano (Lages fica em SC, mas tem o Alvará para ser gaúcha, com certeza absoluta) e não suporta música gaúcha. Claro que não hesitou quando surgiu a possibilidade de vir para Curitiba.
Na contramão disso, outro dia vi uma menina dizer que gostaria de ter nascido no Rio Grande do Sul, já que ela amava a cultura deles, torcia pro Grêmio e achava que o estado do Paraná não tem uma história e cultura interessantes. Obviamente não perdi a chance de dizer pra ela que a revoltinha que eles estavam preparando, quem sabe pensando em instituir o chimarrão como bebida nacional, parou aqui na Lapa, onde acabou a brincadeira e eles voltaram para O SUL É MEU PAÍS fazer fogo de chão. Até que a menina, que era do interior do Paraná, se convenceu.
Deixando a viad...ops....gauchada de lado, penso nos pobres coitados apaixonados por futebol que torcem para um time de fora da sua cidade. Imagino que morando em Picos, deve ser foda torcer para um time regional, e esperar o Flamengo jogar no Piauí também não é a coisa mais fácil do mundo. Eu moro perto do meu time, são exatos 7 tubos de bi-articulado entre minha casa e a Vila mais histórica do mundo, sou muito feliz por isso, e imagino que se fosse diferente eu realmente seria um cara menos feliz.
Mas, mesmo morando perto do meu time, numa cidade que eu adoro e sendo orgulhoso da cultura local, eu também sofro com o nascimento no lugar errado. Antes que alguns engraçadinhos pensem, o problema também não está em eu ter nascido no hospital de São José dos Pinhais (Minha cidade tem aeroporto internacional, e a tua? =P ), menos ainda meu problema é ser brasileiro, já que sou um defensor ferrenho dos assuntos que envolvam nossa pátria.
O problema são os meus cabelos! Outrora tão exaltados pelos cabelereiros da cidade “Nossa, quanto cabelo tem esse menino!”, agora, como se fossem aves migratórias em busca de melhor condição de vida, eles estão morrendo na cabeça e reencarnando em outras partes do corpo. Até imagino meus pêlos, antes de fugirem da minha cabeça, em uma declaração emocionada...
“Ai, não sei...às vezes sinto que eu não sou daqui, sabe?!?!? Parece...sei lá, que aqui não é o meu lugar...”.
P.s: Gauchada! Aqui é tudo brincadeirinha viu!?!? Obviamente não vou reduzir os maragatos a meros revoltadinhos e as razões deles a imposição do mate amargo como bebida nacional.
