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quarta-feira, 15 de abril de 2009

Expulsando visitas de casa

Poucos gostam de ser solitários, afinal, estar sempre próximo de alguém, principalmente alguém que se goste, é essencial para a felicidade das pessoas. Mas existem aqueles momentos que tudo que você mais quer é estar sozinho, em uma ilha afastada 250 quilômetros da civilização mais próxima, para você fazer o que quiser sem ser importunado.


Infelizmente, existem pessoas com o dom, quiçá um pacto diabólico, para saber o momento exato em que você quer ficar sozinho e decidem lhe visitar justamente nessa hora. Vale salientar que em 101% dos casos são pessoas que você nem se importa muito, não são grandes amigos ou familiares que você realmente quer bem, são sempre pessoas que não lhe acrescentam muita coisa aparecendo no momento mais inconveniente possível.


O terror, o ódio, as lágrimas, tudo lhe vem à mente, mas você, educado no colégio do seu bairro, mas com orientação suíça, não tem coragem de falar o bom e competente “VAZA!”. É aí que entra a perspicácia, a sapiência, o jeitinho brasileiro e a lembrança daquilo que está guardado no mais profundo armário do quarto da empregada: O álbum de fotografias.


Comece pegando leve: Mostre as fotos do seu ano novo com pessoas que os inconvenientes visitantes conhecem “de longe”, os entretenha por alguns minutos, para eles pensarem que a visita deles o agrada. Não precisa terminar aquele álbum de fotos, fale, com o devido entusiasmo: “Meu! Lembrei de um negócio que você vai ADORAR ver!” e busque o terrível álbum do casamento de seus pais! Não há ser humano que suporte ver fotos iguais, antigas e de pessoas as quais elas nunca viram na vida. Mostre as fotos sempre destacando os detalhes nada interessantes, como o seu tio que você só viu uma vez na sua vida (e estava bêbado, claro) e que tem um nome estranho.


Quando seus queridos colegas estiverem com o saco a ponto de explodir, mostre a arma final: O vídeo da sua formatura. Pessoas desconhecidas fazendo micagens em churrascos aleatórios, abraços emocionados dos seus colegas, “Somewhere Over The Rainbow” em versão “guitarra havaiana” sendo tocada ao fundo, eu garanto, não existe ser vivo, nem mesmo as plantas, capaz de suportar tanto por mais de 4 minutos.


Pronto, o trabalho está feito e a sua solidão garantida. Você não terá nem tempo de largar a graciosa e cínica frase...”Fica mais, tem bolo!”